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Inteligência emocional infantil na pandemia: como desenvolvê-la?

A ampliação do conceito de inteligência é essencial, tendo em vista que somente a capacidade intelectual não é suficiente para explicar o desenvolvimento humano. É necessário que a criança desenvolva a capacidade de articular conhecimentos teóricos, práticos, competências emocionais e comportamento social enquanto práxis. Ou seja, não basta conhecer, é preciso mobilizar saberes em ações transformadoras, de modo que o domínio da teoria oriente as ações, no sentido de atingir os objetivos pretendidos. No entanto, a criança precisa ser estimulada para que consiga desenvolver a inteligência emocional.

Atualmente, observamos que o debate sobre inteligência emocional tem mobilizado muitos pais e responsáveis por crianças a buscarem orientação de como agir.  Definimos por inteligência emocional a habilidade de conseguir lidar com as emoções de maneira equilibrada, a fim de ter mais qualidade de vida e criar relações mais saudáveis com outras pessoas.

Segundo Daniel Goleman, psicólogo estadunidense, a inteligência emocional se refere à capacidade que cada pessoa tem de entender e administrar os próprios sentimentos, bem como de compreender os sentimentos dos outros. Essa habilidade está diretamente ligada à maneira como alguém lida com as emoções e se relaciona com as demais pessoas. Para ele, a inteligência emocional tem como base cinco pilares que precisam ser desenvolvidos para que ela se concretize e tenha o efeito esperado. São eles: o autoconhecimento, o controle das emoções, automotivação, empatia, desenvolvimento de relações interpessoais.

Considerando esse primeiro pilar, o autoconhecimento, o ideal é ensinar a criança a se observar e refletir sobre seus comportamentos, pois assim conseguirá se conhecer e até prever como poderá agira. Já em relação ao controle das emoções que é o terceiro pilar, a criança deve ser estimulada a observar a intensidade das emoções que sente, na tentativa de equilibrar. Ou seja, a intensidade necessária para cada situação. E isso ocorre quando o adulto questiona motivando a criança para que analise seu comportamento.

Outro pilar essencial é a automotivação. Como o nome já diz é automotivação, mas para que ela ocorra a criança deve encontrar um ambiente favorável para seu desenvolvimento saudável. Além é claro de sentir que se importam com suas opiniões e escolhas.

Como quarto pilar temos a empatia que leva a criança a pensar no outro também. Ela pode e deve ser estimulada desde o nascimento. Crianças que se desenvolvem sem muita interação com outras tem maior dificuldade em desenvolver a empatia. Essa estimulação pode se dar até mesmo ensinando a criança a compartilhar um brinquedo, pois a outra criança também tem vontades. E por fim, o quinto pilar está ancorado nos outros quatro e seria o desenvolvimento de relações interpessoais. E isso não ocorre de forma isolada e a criança deve aprender as habilidades sociais para interagir com as demais. Sem dúvida a melhor forma de desenvolver é praticando. Ou seja, criando situações que a criança precise interagir com indivíduos de todas as idades, mantendo as habilidades sociais requeridas para cada situação.

Por que desenvolver os pilares da inteligência emocional?

Ao utilizar os pilares da inteligência emocional vamos conhecer, compreender e saber lidar melhor com as emoções. Considerando que uma criança passa por diversas fases de desenvolvimento, identificar como trabalhar as emoções em cada fase é fundamental para criarmos indivíduos saudáveis e equilibrados emocionalmente. Mas para isso acontecer é preciso identificar quais são as emoções básicas.

Até o momento, não existe um consenso universal entre os teóricos acerca de quais são as emoções básicas. Por esse motivo, costumamos adotar o conceito utilizado pela maioria deles, que classificam como primárias as emoções facilmente perceptíveis: alegria, raiva, tristeza, medo e nojo. As emoções primárias são inatas. A outra categoria são as emoções secundárias, que são adquiridas à medida que crescemos.

Nesse cenário, é importante trabalhar as emoções, pois sua principal função é estabelecer um determinado estado de informações dentro do corpo que nos permitem ter respostas rápidas em diferentes situações como a segurança da própria vida. Fato esse que vai tornar criança, autônoma e independente.

Sabe-se que as emoções são processadas no cérebro em uma região chamada de sistema límbico, ou cérebro emocional – conjunto de estruturas localizadas no cérebro, abaixo do córtex. É neste local que elas são estimuladas por fatores externos e internos, expressando-se por meio dos sentimentos. Além disso, é o sistema límbico que é responsável por todas as respostas emocionais, pelo comportamento e pela nossa memória.

Assim, entender como e onde processamos as emoções é importante, mas a grande pergunta é: Como desenvolver a inteligência emocional infantil?

Para responder essa importante questão, deixo aqui quatro orientações essenciais: é preciso ensinar a criança a conhecer e controlar as próprias emoções; estimular a criança a manter o foco e não desistir fácil dos seus objetivos; desenvolver sempre a empatia que é a habilidade de se colocar no lugar no outro, entendendo melhor as suas atitudes e a forma como se sente; e estabelecer boa convivência social, administrando os conflitos.

Na atualidade vivemos uma realidade atípica com a pandemia e o desafio de criar filhos emocionalmente equilibrados aumenta. No entanto, com calma e buscando conhecimento científico é possível propiciar às nossas crianças, situações favoráveis a um desenvolvimento saudável. Destaca-se que para educar é preciso ampliar o olhar sobre a educação e criar perspectivas de desenvolvimento, considerando que ninguém é capaz de ensinar o que não conhece.

Administrator

Doutora em Educação de Ciências -Educação inclusiva pela Universidade de Brasília - UnB, Mestra em Gestão do Conhecimento e Tecnologia da Informação pela Universidade Católica de Brasília - UCB. Graduada em Psicologia pela Instituição de Ensino Superior de Brasília - IESB e Pedagogia com especialização em Administração Escolar pela Universidade de Cuiabá - Unic. Possui MBA em Gestão de Pessoas pela Fundação Getúlio Vargas - FGV. Especialista em Planejamento, Implantação e Gestão de Ead pela Universidade Federal Fluminense - UFF e Pós-graduação em Terapia Cognitivo Comportamental na Faculdades Integradas AVM. Formação em Neuropsicologia na Universidade de São Paulo - USP. Especialista em Neuroeducação: Neurociência e Educação pela FAMEESP. Atuo na área de Educação nas modalidades, presencial e ead, Inclusão da Pessoa com Deficiência, Processos Educacionais, Gestão de Pessoas e Gestão Pública, Psicologia clínica e Neuropsicologia.

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